19 de agosto de 2009

"Das coisas mais pequenas"


A única certeza é a continuação
História das coisas verdadeiras
Das coisas que cabem no peito
que anda sem razão

Suspiros pro vazio e risos pro cheio

Encontrar conforto em amenitudes
Das coisas “mais pequenas”
sentir saudade até das lembranças
Quem é que pode com o tempo?
Quanto é possível mentir pra si mesmo?
E enganar o coração? É fácil?

No cotidiano
Que eu faço doce pra doer menos...
Amanhã?
Pro dia nascer mais feliz...
Quem é que sabe?
Amne

17 de agosto de 2009

Dizem





Até nos espinhos nascem flores.
E para ser grande é essencial ser pequeno!
Dizem que andar descalço faz bem...
Amne

16 de agosto de 2009

Meu Dom


Hoje descobri que amor pode ser qualquer coisa
Descobri que amor clareia
e faz uma falta danada.
Descobri que sensibilidade não é doença, mas cura.
Descobri que se a gente andar mais devagar vê melhor o mundo.
Que todo mundo tem dom...
Tem gente que tem dom de pular amarelinha.
E que os sinais são como sonhos, a gente nunca pode deixar de vê-los.
Um beijo e até amanhãs...


Amne

Cuide de você


















Gente hoje fiz uma das coisas que mais gosto, fui em uma exposição de arte em São Paulo no Sesc, que foi criada por uma francesa, a artista plástica Sophie Calle.
Ela recebeu por email uma carta do namorado, onde ele terminava com ela e no fim assinava com frio "Cuide de você". Pois essa mulher entregou o texto enviado pelo namorado para outras 107 mulheres do mundo inteiro, famosas e anônimas. Depois, filmou essas mulheres lendo e interpretando a mensagem, cada uma do seu jeito. O material produzido (84 interpretações, em fotos, textos e vídeos) originou a exposição que ficará até o dia 07 de setembro no SESC Pompéia.
Estava com uma amiga, e ficamos bem impressionadas com a ira e a angústia traduzidas por imagens de mulheres do mundo todo, ao ler o que continha no email.
É inacreditável, mas o feitiço virou contra o feiticeiro, porque nunca se deve tratar uma mulher com frieza e desprezo.Mulher se trata com carinho e quem não sabe, acaba sofrendo as consequências.
A exposição "Cuide de Você", fica no Sesc Pompeia de 10 de julho a 7 de setembro. O Sesc Pompeia fica na rua Clélia, 93, aberto de terça a sábado, das 10h às 21h, domingos e feriados, das 10h às 20h.
É isto aí, "cuide de você" é a palavra de ordem!Porque hoje olhando silenciosamente as fotos, observei que brincar com os sentimentos alheios para alguns parece banal, e a exposição mostra não apenas a inconformidade pela falta de caráter, mas pela falta de humanidade.Me mostrou a universalidade da dor de amor à subjetividade da arte.

O motivo da exposição da artista plástica Sophie:


Sophie
Há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seu último e-mail. Ao mesmo tempo, me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.
Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as “outras”, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas.
Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, de ser simplesmente feliz e “generoso”, se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso. Achei que a escrita seria um remédio, que meu “desassossego” se dissolveria nela para encontrar você.
Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar.
Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo.
Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.
Mas hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.
Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.
Cuide de você.
G

15 de agosto de 2009

A vida é mesmo miragem


Hoje as 5:20 tocou o alarme do despertador.
Nasceu hoje o primeiro dia da mais nova jornada, sorri antes de abrir os olhos como forma de agradecer a vida.
Saí correndo, em São Paulo a gente percebe nossa condição formiga rápido.Mas hoje, nada me abateu...
Entre pessoas, passos corridos...
Entre calçadas lavadas e viadutos "casa" de papelão, atravessei a rua sorrindo pro dia.
É interessante que nas multidões existe solidão demais.
Percebi isto quando no metrô lotado, sorri confiante para um senhor notoriamente sábio que ajeitou o agasalho travesseiro para seu cochilo matinal...
As ruas e situações atordoantes hoje estavam suaves pra mim.
O dia passou difícil e exaustivo, o pão de queijo que uma mulher comia na escada rolante,disse-me firmemente: É isto, um caminho é bem melhor que nada.
Minha coluna gasta de tanto passo e tanto cinza doía muito, um pedaço de qualquer coisa, um copo de chá, a falta de sapatos enfim...
Eis que a vida hoje tava mesmo pra mim.
Risadas ao telefone, convites pra vida, e olha o que me mandaram:

A menina poetisa....
Menina poetisa dos olhos tristes cheios de esperança....
Menina bonita do filho inteligente, o que te faz crescer?
Menina, você quer ser fada,bruxa ou Amne??
Pensamentos de “Clarice” atuando em espetáculo de “F. Meireles”...
Sonhos com “Pessoa” fazendo a obra prima de “Brito”...
Sorrir com um brilho que não existe nem perto do sol...
Imagina a vida com textos que as vezes nem ela mesma sabe o que fala...
Sua vida é “enchida” de felicidade todo dia com a inocência inteligente chamada de filho...
Palavras duras cheias de tristeza, medo, choro, mas no fundo é a verdade da vida...
Brilhos sobre o seu ser, faz com que o mundo pare quando ela escreve e fala...
Amante de boa música, arte, pensadores e é lógico de bons amigos (malabarista e SHU)...
Faz a vida ser um mundo fantástico, com a realidade infantil do seu maior super herói...
Conselhos saem de seus pensamentos como se o mundo já tivesse caído em cima dela...
Sua ironia faceira faz piadas ficarem sem seu contexto humorístico....
Sua dose de força humana faz dela um porto seguro em meio a grandes tempestades...
Seus conselhos deviam ser cobrados caros, pois faz todos lembrarem de que a vida foi feita para viver...
Sua vida teima em querer fazer ela desistir de tudo, mas sempre existe o Antonio...
Seu amor não tem mais como ser esmagado pois teimaram em fazê-lo varias vezes...
Textos com expressões de tristeza viram filme-história-real de “Hollywood”...
Sua palavra confortante deixa “Garota de Ipanema” perder todo o balançado...
Sua pior e maior doença é certamente a cura da insensibilidade dos que a rodeiam.
A liberdade do palhaço cinza longe do picadeiro triste acaba virando Salvação...
Sua nostalgia divina faz seu sorriso tristonho ser mais belo que obras de “Michelangelo”...
Falo demais sobre sua tristeza, mas o fato de “estar” triste não faz dela negativa...
Brilha, brilha estrelinha foi feito quando ela nasceu em meio a escuridão da barriga....
Seu ser poético faz textos à realidade da moça-mãe-amiga-menina-bruxa-fada de ser...
Sua presença intelectual transmite sabedoria por osmose...
Seu cinto de mil e uma utilidades vem com a imaginação de um Soldado da inocência...
Sua inocência foi perdida pelo mundo “drive thru” no qual teve que aprender a viver,mas é diariamente resgatada nos detalhes dos olhos e olhares do pequeno...
Suas escolhas são feitas em cima do seu maior e genuíno amor ...
Seus textos mostram o complexo mundo em que todos vivem mas ninguém quer ver...
Sua honestidade verdadeira faz sua boca ser mais forte do que seus pensamentos...
Seus pensamentos já não cabem dentro de sua cabeça, por isso virou poetisa...
Seu Antonio faz ela ser mais babona que um São Bernardo...
Sua tentativa de ser tudo para todos, faz dela alguém mais do que especial...
Palavras com inteligência raramente entendida por simples humanos...
Pera aí....
Ela só ajuda todo mundo?
Quem ajuda ela?
Por favor me mostre quem é o porto seguro dela???
O que você é, para onde você vai, menina poetisa???
Nunca seremos dignos de tanta amizade, amor, carinho, honestidade e palavras como as tuas...

Eduardo Gottgctroy

Alana Milbers

Parece que a vida é uma miragem pra quem sabe o que enxergar em dias poluídos.
Obrigada amigos.Lindo!
A imagem também é obra das crianças que sentem:

"segue a foto que você terá que colocar junto com o texto, por que ela mostra que a tua vida pode ter reviravolta sempre, e que lá no cantinho você é o caminho no final do túnel para todos..."

14 de agosto de 2009

Será morte ou excesso de vida?



Olha só a profundidade
dos olhos tão tristes da moça
Que escutava concha querendo mar
Com braços para abraços

Que não tem vivido nada profundo
Que não tem sido nada profunda
Parece até, que morreu por instantes...
Amne

13 de agosto de 2009

"Liberdagem"


Hoje me liberto
De tudo que não quero
De tudo que não aceito
Da falta de caráter
Do abandono

Da hipocrisia das palavras irreais
De moldes tortos
onde nunca me encaixei
Da falta de leveza
Da falta de cuidado
Da falta de sentir com o corpo e com a alma também
Da falta de humildade
Pedaços de respeito

Hoje eu aceito
Dançar na chuva
Ter um segundo de sorriso
Ficar vermelha por nada
Aceito a intensidade da verdade
Aceito a vida
Que anseio segundo à segundo

Aceito fragmentos de minha escrita pobre
E eu nem falei dos amigos...que são hoje
A grande força dos pilares que me sustentam.
Minha liberdade enfim liberta

Amne

Feito pra mim???


"Nessa hora
Menina entendeu tudinho.
Descobriu que só carinho
é que espanta a solidão.
E que a dor, se dividida,
fica dor menos doída
E que aí,
dá até vontade
de continuar a crescer
pra descobrir
o resto das coisas..."

Do livro
"Olha o olho da menina"Marisa Prado
ilustrado por Ziraldo

Presente


Variando situações somos novos diariamente
Novos sorrisos, novos indivíduos
Novas oportunidades

Tem dia que desisto da vida
Tem dia que a vida é quem desiste primeiro
Tem dia que me emociono com o sol
Tem dia que ganho flores numa tela

Tem dias que o sol me queima, e até deita em minha janela
Debruçado me olhando
Tem dias que o mar se apaixona por mim
Tão sozinha fitando a tarde
Agora que o pranto intempestivo se foi...
Ao menos por hoje.

Tem dias de alma mais leve
Que solto bexigas pro sol
E toco em olhares por aí...
Invariavelmante inconstante
Como uma força qualquer da natureza
Como uma onda que chega mansa.

Amne

12 de agosto de 2009

Paciência


Sigo minha construção
feita com pedrinhas da rua
pedaços de calçadas
poeiras que riscavam meu olhar

Sigo minha construção
Com fome de vida
Com fonte de sonhos
Com sombras de mão na parede
Com saudade


Sigo minha construção
decorando com véus as frontes
Com perfumes naturalmente meus
Com força camuflada em dor

Levando os tijolos que se partiram
colando as bases
unindo pessoas.
Amne


Obra. "Operários"
Tarsila do Amaral
1933

Último outono


A primavera ensaia vinda
Mesmo com este outuno opondo-se ao inverno
O outuno este ano está longo demais.

Mesmo se eu levasse toda a vida
descrevendo-o
Linha à linha
Faltariam os olhares
Os detalhes
Até mesmo os cheiros de abraço

A pureza que me fora roubada
Aniquilou com o frio deste inverno
Que envergonhado depois da confusão
Almeja agora uma estação com flores
Mesmo que sejam das mais opacas

Nunca mais as folhas cairão normalmente no chão...
Terão toda uma beleza particularmente triste.

Amne

Brilho



"Fácil falar em tristezas corriqueiras
Fácil pensar em solidão abstrata
Pincelar dores no papel em forma de poesia
Difícil é viver tudo isto.
Um sorriso no rosto,
cinza nos bolsos.
Queria nascer sem cor..."

Amne

11 de agosto de 2009

Feitiçaria


Um lampejo
se exaurindo
eu em mim
nunca lembro,
quem continua inteira?

Faço força contra
brilho quase sem querer
num universo
num copo de água vazio
sem compasso , e sem ritmo pra vida.

Uma idéia, uma criação banal do mais puro sentimento
Infinita pra quem vê
azeda e doce pra quem prova...uma dose de ilusão
um remédio
um punhado de lirismo que quase cabe bolso.
Com um pouco de passado pra tanto futuro,
ou seria do avesso?

Instigando sonhos
Instintos
Quieta.

Cereja, chocolate e incenso de pimenta,
uma pétala , uma xícara de chá doce quente
fitas coloridas, um lápis, flores no cabelo
pra se fazer alguma feitiçaria.
Passo à passo
vagamente.

Amne

10 de agosto de 2009

Muitas vezes desde sempre



Me alimento. Sento. Sinto.
Saio...
Vago,
no me achar.
Na floresta de cactos doloridos.
Achando o prumo
Um rumo?
Então sumo
...um pouco hoje, um pouco amanhã.
Parece que enfim me tornei transparente.

Todos me mostraram
Me provaram já
muitas vezes desde sempre...
Não valho à escolha.
O meu pouco é pouco demais pro mundo
Ainda não aprendi ser grande o suficiente
Nem como ser plena e infinita
ao ponto de valer o caminho...

Parece que sou mesmo distraída,
deixo que me cortem com punhais usados.

Amne

O tempo


O tempo que transmuta
O vento que passa
As escolhas que teimam
O choro que se contém no silêncio

O tempo que passa sem passar
O medo fingindo-se de morto
A morte da flor parada,
solitária no vaso
Notas que ecoam nas tardes
tão cheias de nada.

Amne

Sem fim





"Um passo
Um tropeço
e mais uma segunda-feira no meio...

Me apoiando no meio fio.
Sigo?
Fico?
Vou?
Mas, ir pra onde?"

Amne

9 de agosto de 2009

"Assopros no ventre "


Assopros...
Na madrugada.
Talvez existam pernas entrelaçadas
Toques seguros sobre a pele
Em uma nuca trêmula
Talvez entrega
Ou carinho inestimável.
Efêmero.
Talvez a proteção de um olhar...talvez.

A delicadeza de mãos dançarinas sobre a pele.
Brincando com as mentes.
Vício coletivo.
Subserviência incompleta.
O som das batidas do coração, onde apoiar-se ao dormir

Onde se guarde
pedaço no ventre
...tornando amor palpável
Materializando mágica.

Fulgás.
Talvez se povoe pensamentos
Talvez se consiga.
Talvez se veja o todo
Para que se siga enlouquecidamente até o fim
Sabendo que se pertence ao mesmo ponto de partida.

O escorregar suave dos dedos na coluna nua e rígida
E a capacidade em saborear
cada centímetro de pele.
O balé inconstante e agonizante dos desejos,
Intimamente humanos.

Assopros no ventre
do crâneo...
Um equívoco?
Suavidade das línguas quentes unidas em um só propósito
Amar!
Amne

Sabedoria infantil


Tudo bem que o cara não sentiu a maldita dor do parto, nunca saberá o que é amamentar com sono...
Provavelmente nunca saberá o que é ter dois corações dentro do peito, mas hoje é dia dos pais, e além de ser uma data altamente comercial, é uma boa desculpa pra reuniões, e se lembrar de coisas importantes como afeto.
"E aí filho, o que você acha de uma camisa?Que tal uma caneta bem bonita? Um livro?"
"Não mamãe, eu pensei muito já... sei o que eu vou dar pro meu pai, eu quero dar algo que ele realmente precise mamãe! Eu vou dar um apontador!"
"Filho deixa pra outro dia o apontador...vamos ver outra coisa ...
(Como pude ser tão idiota com esta frase?)"
"Não mãe, vou dar um apontador azul!"
Na loja...
Filho pelo menos leve um de metal, em formato de mouse, foguete...
Não mãe, eu quero este!(Faber azul de plástico, 2.5cm, retangular...simples)
Presente de dia dos pais!
Simplicidade, cuidado e carinho, em uma pecinha simples fabricada em alta escala, sem qualquer calor humano.
Um gesto muda todo o contexto.Dar um presente é ter olhos precisos...
"Ele adorou mamãe...ele estava mesmo precisando!"
Ele pensou em segundos o que o pai precisava, enquanto eu oscilei uns quarenta minutos entre garrafas de vinho, que o meu pai provavelmente nem estava precisando!
Sabedoria infantil.
Amne

Amor



Receios, desejos, promessas de paraíso
Depois sonhos
Depois beijos
Depois risos.
Depois...
E depois amada?

Depois dores sem remédio
Depois pranto
Depois tédio
Depois...

Nada!

Menotti Del Picchia

7 de agosto de 2009

Meu Amigo


Hoje eu não pude chorar

É imensa nossa capacidade de amar, hoje meu cachorro foi sacrificado.
E eu não pude chorar, meu filho inconformado chorando de soluçar em meus braços,pedia que eu não deixasse ele morrer...não me permitiu uma lágrima.
O Oswaldo era o cachorro mais idiota que eu conheci, pesava trinta e seis quilos, mas tinha alma de um chiuhaua.
Ele tinha medo de trovão, e como só a cabeça entrava debaixo do sofá, ele acreditava piamente que estava protegido.
Tinha uma mania horrorosa de roncar, quando eu gritava com ele da cozinha, ele acordava todo desconfiado.
Tinha uma "bundona" desagradável,bastava a gente sentar no chão que se impuleirava...Era ridículo quando pedia colo, como se fosse mais leve que uma bailarina.
Babando em tudo, ele respeitava até a bronca de um menino menor que ele, em geral saia cabisbaixo resmungando contrariado.
Quando ele chegou há nove anos atrás, a cabeça pesava mais que o corpo.Ele andava desajeitado cambaleando e mordiscando tudo que achava...não sobrava nada inteiro, me levando a loucura.
Eu esbravejava com ele, ele nem ligava.
Sempre gostou de banana picadinha, roubava batatas da fruteira só de sacanagem...parecia que gostava de me ouvir gritar "Devolve esta batata cachorro laza...".Eu sentia que ele continha uma gargalhada enquanto eu xingava!
Tinha o dom de esperar alguém diferente em casa, pra se aproximar e subir aquele cheiro horrível, e quando eu mencionava a mão amarela, ele era o primeiro a ficar com as orelhas baixas e cara de "paisagem".
Na outra casa tinha um jardineiro que adorava ele...juntava aquele monte de folhas em uma enorme pilha no outono, ele ia lá e jogava tudo pro alto.Eu questionava o homem que me respondia : Deixa o Oswaldo, ele gosta de bagunçar as folhas...
Parece que as vezes a gente ama mais nossos animais que nossos semelhantes, com certeza ele virou a estrelinha que eu disse pro meu filho!!!Uma estrelinha em minha memória!
Amne

Foto: Oswaldo Cruz em 2008

6 de agosto de 2009

Cereja


"Ai que delícia,
hoje acordei infinita."
Amne

5 de agosto de 2009

Sentindo menos


Estava lendo Cecília hoje no ponto de ônibus.Agora somos modernos, temos versão "pocket" dos clássicos, o que deixa minha vida mais leve, leve mesmo, porque antes minha bolsa pesava seis quilos.
Cheguei em casa mais alegre, dando voltas ao redor da mesa como quem contorna o mundo.
É esquisito quando paramos para olhar o mundo do lado de fora, as vezes tenho esta mania chata de sair da órbita para observar da janela.
Parece que o teletransporte lustra olhares gastos, não gosto muito quando a racionalização de algo é maior que o próprio acontecimento, é como se perdesse um bocado da mágica da coisa toda.Mas, olhando assim, agora, vejo a importância de se colocar de fora, e por um instante fingir que não se faz parte daquilo.Aí é o exato momento, de você virar seu amigo, concedendo-lhe conselhos...
Dizem, que quem está de fora vê melhor.No fundo todos sabemos o que é certo!
As situações passam tão rápido, que nem conseguimos saborear nem mesmo as derrotas, e como eu gosto de viver tudo intensamente, acabo me decepcionando um pouco com cotidianos, e tolices corriqueiras como sentir dor.
O lado bom é que tudo vira página de livro, algumas guardamos com carinho, outras colocamos no fim da pilha e deixamos lá, uma hora alguém lê.
Esta semana, achei mais respostas pras minhas perguntas, nada muito acolhedor.Mas, tudo bem... minha pele está mudando.
Escrevi sobre pessoas finalmente, sem meus olhares, sem meus sentimentos e pesares.Terminei uma leitura antiga, mostrei o céu para uma menina, ontem conversei com um poeta (Que como poeta que se preze sofre, mas divide um café como ninguém), e fiquei algum tempo me olhando de fora, da janela...do outro lado da rua.
E por um instante pude até sentir menos.
Estive observando quanta coisa acontecendo ao meu redor, tanta oportunidade de melhora pra maioria, e ninguém se dá conta.Se esquecem muito dos detalhes.
E os detalhes são o que realmente importam.
Amne

Épico na torre vazia


Pensei em escrever um épico sobre a solidão
Mas ouvi dizer que não existem palavras que à codifique não
Pensei num épico vazio
cheio de monstros inquietos
Parece que a solidão faz companhia pra ela mesma.
Do alto da Torre vazia
o épico dizia
Que a solidão é o que temos de maior!

Amne

Tenho salvação?


Me peguei a pensar na paciência divina espiando minha vida
Onde anjos peregrinos me acompanham
Com pedras voadoras
Ritmo tristonho
Amor sem vida
E ainda uma falta de tostões...
O divino certamente, deve possuir nostalgia do meu futuro...Graças à Deus!
Amne

Obra: Kadu Veríssimo

Mais e menos...


Tem dias que brilho
Tem dias que apago
Tem dias que morro
Tem dias que ardo
Tem dias que sou cristal
Tem dias que sou carvão
Tem dias que sou calúnia
Tem dias que sou salvação
Tem dias que sou saudade
Tem dias que sou precisão
Tem dias que me acho
Tem dias que me perco
Tem dias que sou chuva
Tem dias que sou botão
Tem dias que sou não
Tem dias que sou circo
Tem dias que sou chão
Tem dias que sou nada
E eis então minha condição
Sou poeta, ou talvez não
Tem dias que sou palavras
pra se comer com pão.
Amne

2 de agosto de 2009

Sou


Me assusta minha capacidade de guardar tempestades, como quem brinca com a vida...
Parece-me absurdo caber tanto dentro do meu corpo, tão pequeno e pouco.
Não encontro compreensão no vazio. Nem me chega qualquer entendimento do que sou.
Amne


Obra: Romero Brito

Emoção






"As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."
Fernando Pessoa




Gravura: "A menina e o vento" por Kadu Veríssimo

Açúcar




"Na delicadeza que fabrico
Tem um pouco de céu
Um pouco de ventre ,
tristezas pequenas.
Amizades sinceras
Uma xícara pela manhã
Pés descalços na tarde
Livros com orelhas gastas
Desenhos em papéis usados
E alguns sonhos da padaria"
Amne




"Há tanta suavidade em nada dizer e tudo se entender."
( Fernando Pessoa )

31 de julho de 2009

Filosofia interna



Sigo tentando me achar! Porque ao que parece, a vida é mesmo uma busca contínua por nós mesmos!
Amne

Eu? Passarinho com certeza!!!


Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mário Quintana

29 de julho de 2009

Abandonando o tempo, vou.


"Caminho em frente pra sentir saudade"
Marcelo Camelo

Meus retalhos coloridos


Um dia acordei fazendo mais uma colagem pra minha colcha de retalhos.Achei meio esquisito não encontrar mais os retalhos, revirei a casa toda na esperança de me achar.
Armários, criado mudo , gavetas...acabei por fazer a maior bagunça.Pensando fiquei, quais eram as cores dos retalhos que perdi, por onde andavam?
Sem respostas sentei ali com papéis e recordações nas mãos, rindo e chorando da métrica da vida, ou a falta desta.Achei um desenho sem chão, achei meio poema falido e achei até uma presilha de madeira , destas que nem se fazem mais.Achei muitas caixinhas que passei anos armazenando passado.Mas conforme significados apareciam, ainda me doía a falta dos meus retalhos.
Desisti da bagunça sem explicação, e entendi o porque de tantos papéis...lembrei do Carpinejar que diz “Meu maior medo é escrever para não pensar”.Pena que a gente só se dá conta pensando...o pensamento em geral gera alguma cicatriz engasgativa, mas necessária muitas vezes. E no final existe anestésico,analgésico...qualquer merda que freie todo os resto.No fim daquele dia eu estava com uma feridona descascada, doendo...e sem meus retalhos.Mas , com um punhado de caixinhas e pensamentos claros.Dizem que muitas vezes acontecem coisas ruins, para que possamos enxergar as boas, a minha inconformidade com o “causo”, estava justamente aí: o por que de em algo bom, eu tinha enxergado tanta coisa...
Onde estavam os retalhos do período?Como morrer sem ir pra debaixo da terra?Lá teriam os vermes, morrer vivo é praticamente morrer só.Percebi enfim Gabriel Garcia Marquez dizendo que “a vida é uma sucessão contínua de oportunidades”.
Fiquei pensando na minha.Imaginando quem eu seria com outra história de vida.Com outra vida...se tivessem me ensinado algo, o principal que eu gostaria de ter aprendido era como aproveitar as oportunidades da melhor forma possível.Queria que alguém tivesse me ensinado à ser mais sábia, e menos ingênua.Queria ter percorrido a vida com um ganho maior de sabedoria, para hoje ser uma versão melhorada de mim.
Tenho feito, em minha busca pelos retalhos perdidos, uma escalada térrea dentro do meu corpo,e em minha memória.Tenho jogado tanta coisa inútil fora. É estranho pensar que já possuíram valia!
É esquisito pensar em nossa capacidade de se transformar, adaptar e absorver.Mas, o que mais me assusta é nossa capacidade de sentir.
Pensei nos retalhos hoje, como pessoas que passaram por mim...suas cores e tons.Suas vozes, sorrisos, lágrimas...pensei ...
Temos uma capacidade meio mórbida também de aniquilar com lembranças,mas estes retalhos nunca se desprendem de nós!Lembrei de outro texto do Carpinejar que fala assim “Uma relação nem sempre termina porque não é feliz.Às vezes termina para preservar a felicidade da memória”.
Observando o mundo e os meus armários hoje, eu vi que o lance é saber separar os retalhos por sua escala de cores, os que sobram podem virar divertidas mantas que nos aquecem no frio.
Acho que é isso...
Amne

Obra: Peter Blake

Sem resposta


"Quando a vida escorre entre os dedos, como fechar as mãos com firmeza?"
Amne

28 de julho de 2009

Doença


"Minha sensibilidade é minha maior doença, meu maior vício, meu maior ópio. Junção de todos os meus sentidos em um só lugar: Sobre a pele!
Já faz algum tempo que é através da pele, dos poros e do toque que sinto o mundo."
Amne

foto: Olhares.com

Grama


"Não procuro um lugar no mundo,
O mundo que se adapte à minha inquietude.
Porque sou pictórica e desvirtuada demasiadamente,
para compactuar com tudo isso."
Amne

27 de julho de 2009

BURRICE!


"Não existe choque maior aos seres,
do que se descobrirem vivos.
Antes buscassem a morte, esta provavelmente
não dói como a vida!"
Amne

obra:Narciso por Caravaggio

Vida louca vida!


Vassouras Bailarinas

Esta semana esbarrei no passado.
Reencontrei um amigo de infância, aquele tipo que temos quando iniciamos os questionamentos ...quando nos percebemos indivíduos.Foi bacana, porque me fez me ver de outra forma, lembrei de uma delicadeza que eu nem lembrava mais possuir, nós dois já éramos sonhadores e revolucionários aos nove anos e nem mesmo sabíamos!Eis agora a confirmação, após de mais de uma década sem nos falarmos começamos por citar “Schopenhauer” e seus devaneios metafísicos sobre o amor e o mundo.
O engraçado de lembrar de quem éramos, é perceber que evoluímos tão pouco.Quantas páginas serão lidas?Quantos amores vividos?Quantos mundos serão desfeitos?
Será que algum dia evoluiremos ao ponto de não conhecer mais nosso passado?
Donos do mundo éramos e nem sabíamos, donos dos sonhos e da inconstância da transformação que a vida impõe. Éramos eu e ele , revolucionários da “quarta série B”, quando preferíamos divagar sobre o céu à jogar bola na grama alta do pátio do colégio do interior.
Sempre ficava pro dia seguinte o gosto bom da infância, e da pureza da companhia pras palavras.
A grama e o céu, testemunhavam descobertas e fascínios, tristezas e solidões, Maria mole e doce de leite no canudo.Mas, ali falávamos de planos pra humanidade... medos, pra toda a certeza do mundo.
Algumas vezes também quando as estrelas vinham, dançávamos encantados com vassouras (tímidas) ao som de borboletas noturnas. Fitas cassete eram mágicas, como os olhos das crianças e suas vassouras bailarinas.
No papo com o “garoto” que conheci vinte anos pra traz, me vi viva numa moldura de pano.
É inacreditável como a essência que a gente teima em perder, permanece...que bom.
Hoje, parei de dançar com vassouras! Hoje, fabrico nuvens no céu!
Amne
Obra.Vik Muniz

25 de julho de 2009

Espaço


A beleza e a loucura são apenas pontos de vista.Não se acanhe, quanto maior o tamanho das pessoas mais espaço pro coração, e uma imensidão de sorrisos! Amne obra: F.Botero

24 de julho de 2009

Perpetuar


Os dias

Como projeto de vida,pretendo um pacto com a felicidade.
Em tardes com luas aconchegantes.
Tenho aspirações com o som, e alguns tons alheios.
Demasiados vãos!
Tenho querência de amigos e brincadeiras matinais.
Alguma menção ao futuro,
toques sutis em minha nuca.
Cheia de rigidez.Minha e dela!
Livros espalhados dentro do meu ser.
Cicatrizes belas para mãos pequenas.
Alguma formação de valores
e despreendimentos com fórmulas.
O que busco de fato,é nunca esquecer do passado
sendo regada por raízes fortes, tênues e difíceis e frias e poucas
de que me lembro realmente...
Pra nunca esquecer quem sou
Pra nunca duvidar da minha alma
Pra nunca mais morrer assim,
antes de acabar-me por inteira,
até o último suspiro.
Porque a morte aos pedaços, tem nela a maior dor do mundo...
morte aos poucos só pra fortes!
Dos projetos, só e sempre os maiores.
Das dores, do riso e do pranto
pequenos pedaços alucinógenos...Pequenas parcelas de culpa!

Amne

Vou falar bem baixinho


"Um abraço terno
sem dor, sem nada.
Puro.
Tal como um floco de neve,
a maior demonstração de carinho
acima de qualquer afeição rubra,quente, instintiva...
Virgem como os santos imaculados do altar.
A própria dor em carne viva.
Sem lembranças boas ou más.
Sem julgamentos, sem pagamentos.
Um abraço!
Doce... silencioso, terno e casto.
Um abraço,
sem fim..."
Amne

Às favas


As vezes a gente teima na teimosia
de possuir uma corajosa coragem!
Aí a gente se engrandece
em ser coisas que a gente nem sabe.
Porque o muito pouco do nada parece tão razoável,
e a vida uma brincadeira torta de mal gosto absoluto!
Amne

23 de julho de 2009

Pele


Enquanto grito o mais alto que posso
brinca em tua chuvinha morna
falaram que covardia se encontra em heróis...
Como ousa me atirar no abismo?
Porque enquanto finge
derreto na fogueira de lama.
Eis o novo velho homem!
Tuas dívidas com o passado nada me dizem respeito
apenas guiei teus olhos ao infinito
e é disto que vem minha culpa
e é nisto que mora todo o teu medo!
Amne

Obra:Klimt

22 de julho de 2009

Determinação


"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem".

João Guimarães Rosa

De mudança


Pra ser sincero
mudei de endereço
agora moro
no esquecimento
e sempre que posso
troco de casca.

por meu amigo "Paulo Netho"

21 de julho de 2009

Plantando mato


"Se em meu peito coubesse tudo que sinto
Seria eu feita de transparências
Eu não morreria todos os dias
nas planícies dos meus sonhos
Se em meus olhos fossem transmitidas todas minhas dores
As lágrimas seriam sangue,
e no toque amor seria palpável
Se minha vida fosse contada, caberia facilmente em um poema
meus versos seriam sonhos e carinhos destinados ao vento
Seria possível escutar os murmúrios deste amor que chora
entre convulsões e sombras mal acabadas, e alguns toques no papel."

Amne

20 de julho de 2009

Sentindo


Sempre agradeci à Deus as chuvas,
em especial aquelas de papel picado!
Amne

18 de julho de 2009

Pedaço de candura


"Sendo criança...tudo que se olha:VIVE!"
Amne

16 de julho de 2009

Outro dia fabriquei uma Gravura


Terminei antes, ele ali entretido com um pedaço de doce de leite de corte que eu trouxe, dei um gole no suco ...a gente se olhou, é como se nossos olhos transmitissem palavras, ele soltou um “Aiiii mãe” sorrindo.
Continuei ali meio perplexa com a natureza, os dedinhos ainda lisinhos (bons de carinhar),vendo que todo dia ele nasce um novo ser.
As vezes sinto medo, mas descobri que ele está se tornando uma agradável gravura.
Ainda não sabe relaxar quando analisado, também pudera ainda é meio anjo, meio gente.
Parece que sente demais, aí finge que sente de menos.
“Ai filho, morri de saudade de você nos últimos dias."
Mãeeeee (abraçando minha face), não precisava era só levar um desenho meu.”
Ele sabe o que falar, e até como sentir as “amenitudes” que eu tenho esquecido.
Ali na mesa após o almoço,ele questionava se jornal era real ou fantasia, recolhi os pratos com o riso parado num canto do meu dia.
“É real filho”... “Nossa mamãe, então tudo é de verdade?”
Ele tá crescendo, e eu não!
Eu ando maravilhada porque é um pedaço meu, que nem meu mais é, ali concentrado em descobrir vida.
O “aiiii mãe” de hoje, é algo que denota meu olhar fixo nele , enquanto se transforma.
Eu não quero perder nem um segundo, se eu conseguisse passaria as noites fotografando seu sono.
Ali no silêncio do doce e do suco, o que eu não contei pra ele, é que eu naquele exato momento o sentia em meu ventre...por isso, chorei uma única lágrima enquanto sorria pros pratos na pia!
Amne

Obra:
Pierre Auguste Renoir

15 de julho de 2009

Sons e Segredos sob a pele


Melhor forma não há
Num toque, suavidade
Um olhar, sempre desprotegido
Carinhos,levados no bolso
Colecionando sons e segredos vou...

Mostro-me inteira, pra me arrepender depois
Da santidade da mãe à leveza das fadas

Fabrico desenhos nas paredes
Cultivo rendas sob a pele, anoitecendo sutilmente
Danço no silêncio
Melhor forma não há
de contar quem sou.

Amne