4 de março de 2012

A Garota do calendário

Garota do Calendário

Mais uma vez me encontrei atrasada na execução deste artigo, mas contrapondo, a própria correria mordaz me trouxe o assunto ou inspiração da vez.
Hoje o certo seria escrever sobre Marias, mais uma vez. Mas já que a pauta são as mulheres, e na história mundial não faltaram grandes nomes, vou fazer um parênteses tentando ser o menos injusta, ou o mais justa possível. Claro que esta é a minha visão da coisa, e isso é altamente variável e individual.
Pensei em selecionar nomes para montar um grande calendário que remontasse a história feminina e emancipativa da mulher no mundo.
Teríamos grandes nomes, como: Simone de Beauvoir, Anne Sullivan, Joana d’Arc, Madre Teresa de Calcutá, Marie Curie... Sim, eu sei, jamais poderia fazer uma lista primordialmente justa.
Voltemos então às Marias. Mas, não qualquer Maria. Uma Maria contemporânea e não menos guerreira ou inovadora que aquelas já anteriormente citadas. Falarei de mim e de outras, talvez de todas.
Mais uma Maria, debaixo desta terra quente das últimas semanas.
O mundo não anda lá grande coisa, e ser mulher e “Maria”, já deve ter sido ao menos mais valorizado por essas bandas. Somos Marias sem terra, somos Marias de ninguém. Toda a “boniteza” de ser mulher anda se esvaindo nos cantos da atualidade.
Vivemos à esquizofrenia de se fazer mulher. Quem trabalha fora quer um lar, quem tem lar quer emancipação, quem não tem, acha Graça. Não tem mais lugar para ser Maria. As mulheres andam mais "macho" que muitos homens, que também não sabem para onde se foi a beleza da macheza masculina. A bem da verdade é que anda duro ser Maria!
Ainda mais, Maria de ninguém. Digo isso por mim, transcrevendo para vocês um único dia de Maria:
A loucura toca alto às 6h da matina!
Como ginasta, num pan olímpico, viro estrela enquanto preparo o café, coloco o blazer que as vezes não combina com o tênis. Desço atrasada pulando degraus, puxando criança, e uma mochila...Volto, pulando degraus, um ferro tinha sido esquecido todo vaporoso.
Suada, suando entro no carro que não pega. Só vale pensar palavrões, afinal olhos amendoados me observam na parte de trás do banco. O carro funciona. Três sinais vermelhos, e pegaram minha vaga mais uma vez. Arrasto mochila, esquecendo a criança. Volto, atrasada, pego criança mochila e agenda.
Enfim, minha mesa, enquanto ligo o computador um tempo para o primeiro grande suspiro do dia. Trabalho. Monto trabalho. Reunião. Mais trabalho.
Vontade de um xixi ( Vai ter que ficar para depois!), esta é a parte que paro tudo para atender uma empresa: Aí fico pensando em muitas coisas, pois o “cara” traz uma mídia sem nome, sem embalagem, sem dados. Não sabe o que vende, e na verdade, nem sabe quem é o cliente, neste caso, eu ali, que represento a empresa.
Sim, ele me torna mais dispersa e cansada que o rotineiro.
Um Coaching no meio da manhã...Já falei da monografia que desenvolvo atualmente?.
É, preciso comprar sabão em pó. A impressora falha, penso em mais palavrões, na verdade imagino palavrões em formatos diferentes.
No alto das 14h chego em casa. Almoçar hoje, só amanhã. Então, trabalho mais: estendo roupa, lavo banheiro, outro trabalho, monto trabalho da faculdade. Tem o jantar da criança e o banco fecha as 16h e agora?
Acabou a ração da gata! (esta é a hora que imagino que ela deveria fazer fotossíntese, como as plantas da sala. Em compensação as plantas estão precisando de água, urgente!).
E no meio de tudo, o menino faz : natação, dança, xadrez!
E leva criança...busca...trabalho ...abasteço o galão de água, hora da ajudar e supervisionar a lição da terceira série. Nesta parte, engulo meio pão velho antes de correr para a faculdade, e seus trabalhos.
Tenho uma bolha no pé, outra bolha na mão. Então, cochilo no meio da aula, na realidade me teletransporto cerca de três minutos para minha cama...Ah, a minha cama! Quase uma miragem.
Já são quase 00h e tem roupa lavada na máquina, lá vamos nós.
É hora de dormir, amanhã é sábado, dia de faxina forte.
O espelho me diz para dar uma corridinha no meio da tarde. Também preciso fazer as unhas, ainda serei a Garota do Calendário.
Todo sonho de Maria. Das Marias de ninguém. Das Marias de hoje em dia.
Então, apenas me resta dar os Parabéns a todas as mulheres que são,
serão e já foram Marias!

Amne Faria

Um comentário:

artesanato disse...

parabens pelo conteudo e estrutura do blog. forte abraço, renatoartesanatoem
MDF