15 de dezembro de 2009

A galinha do vizinho


Somos seres ambíguos, capazes de odiar até o amor.
A gente nunca sabe dar certezas nem pra gente.Isto sim é uma verdade cheia de certeza!
Nada é mesmo tão normal na vida da gente frente a grama, e a galinha do vizinho.Lá a galinha é mais gordinha, e a grama sempre tão verde...
Mas, e nós? Como adubar a nossa grama? Tentamos engordar a nossa galinha? Imagina...Jamais o fazemos.É muito mais fácil sonhar com a “coisa” toda do vizinho.
A gente se prende na teia de nossas fantasias ilusórias, aquelas projetadas no terreno do lado de fora, longe do mundo tão nosso que criamos todo dia. Ignoramos o fato que a realidade também mora ao lado...na frente, ou do outro lado da tela do computador.
Criando situações, pessoas e galinhas narcotizamos e diminuímos nossas próprias escolhas...nos entregando ao nada que recebemos por isso.
Porque a resposta pras fantasias sempre vem em forma de vento...
Nada de amor, nada de felicidade, nada de laços...nem mesmo nos sapatos. (A era contemporânea dos velcros, me dá um baita saudosismo das orelhinhas dos ratinhos, que era como a gente aprendia a amarrar os sapatos).
A sabedoria popular está perdendo muito pra nova vida fabricada em alta escala.A sabedoria “cuide do que é teu,senão alguém leva”...pois é...a gente nem sabe mesmo mais o que de fato é nosso, foi, era...a galinha do vizinho é mais gorda? Certamente ...gorda! Mas é puro drive thru de uma ciscadeira triste...
Sinceramente acho que o meu vizinho também sofre entupindo a grama de merda na expectativa que ela cresça, e fique mais verde também...igual a minha? Nem grama eu tenho.
Puxa que pena de nós!
É tão fácil se enganar, se iludir , com expectativas “totalitariamente” individuais.
É tão pequeno o pensamento do “dar valor depois”...em contrapartida, o valor se não foi dado existiu de fato um motivo, nosso ou não.Vai saber.
O fato é que buscamos o inatingível, e o atingível perde espaço, míngua e morre.
E então a gente pára sem saber porque estamos tão tristes, e buscamos mais gramas com galinhas gordas, mesmo que de fato saibamos que são alimentadas com merda e drive thru, e provavelmente nem existam fora da imaginação da gente!
Que pena que não exista em minha casa um cimento verde.
Quem sabe em algum quintal que eu achar?
Dizem que verde é esperança.
Esperança de que uma hora saibamos lidar com nossas galinhas, e cuidar da nossa grama com carinho...antes de sonhar com as frustrações dos vizinhos e seus jardins de plástico.
Benditas aquelas frases “ De perto ninguém é normal”, e “Só podemos avaliar alguém quando dividimos com ela ao menos um quilo de sal”...
Dividir açúcar é fácil, colorir galinhas gordas também...
O que proponho é “ Alimente sua galinha com sal”, se ela sobreviver ...bom, será mesmo real e um tanto forte!
Mas deixo advertido que galinhas assim são raras, e só nos damos conta disso no final.Que é quando nos deparamos com a realidade, que nunca dá as mãos pra fantasia, e dói...embora seja mesmo tudo que possuímos!
Amne

Um comentário:

cervan disse...

bom te ler. estou em processo de consumir menos carne, mas seu post me deu fome de galinhada.