16 de dezembro de 2009

Minhas gavetas internas e ponto final.


Final de ano é uma época engraçada, porque a gente querendo ou não acaba fazendo limpeza.
É aquela tentativazinha de começar o mês que vem de um outro jeito.
Bom, aí a doida aqui pegou um milhão de papéis, uns já meio amarelados.
Um milhão mesmo, porque só o que será jogado fora lotaria fácil um saco de 100L.
Nossa, a gente tem esta mania feia de guardar tanta bagunça, na esperança que um dia lá na frente a gente tenha alguma surpresa. E deu certo!
Surpresa que não se acaba nunca mais!
Encontrei o fio da meada da história da minha poesia, ao menos do ano que finda.
Um ano que fez de minha poesia uma contínua evolução, mesmo oscilante, fraca e ofegante.
Achei emoções dobradinhas, mas depois de sorrir e separar calmamente palavras, me deparei com três textos inacreditavelmente especiais pra mim.
Embora lidar com verdades acabe diminuindo o brilho da intenção de quem escreveu.
Não foi apenas a minha poesia que cresceu!
Ah se eu fosse "eu assim" há algum tempinho atrás..Porque hoje, o que era belo antes, ganhou sabor e curvaturas...equacionando mais e mais o meu sentir.
O engraçado é que nosso olhar muda, e muda quase que diariamente.Ainda bem que guardo papéis pra ler depois.
Pois é, muitas vezes, na maioria delas minha dispersão não permite que me recorde do fato de tê-los guardado.
São peculiares, cada qual a sua maneira, e a própria intenção tratada no momento da fabricação.
Quanta beleza delineada por sutilezas inclusas:

"Me ensina a encontrar minhas asas
a tê-las e vê-las e batê-las assim
como você faz com as suas"


Lembro-me disso, só não compreendia que voar é mesmo um dom.
Então muita coisa se perde no caminho, pros papéis, menos a emoção de quem os lê.
E a lágrima que teima em acalentar a leitura.

"Quanta dor a gente agüenta antes de desistir de viver?"

A gente desiste de viver por não conseguir sentir nada, nem ao menos nortear o próprio sentimento.
Na realidade temos uma dificuldadezinha com dores, aí na maioria das vezes a gente desiste até de sonhar.
Não deveríamos nos permitir a derrota, mas ainda temos a desculpa de sermos humanos,fracos e ralos.
Certa vez li que "tristeza" é uma forma de egoísmo!

"Tocando a alma, tirando a poeira de tempos ruins"


...poucas vezes me deparei com minha própria alma tão trêmula assim, ainda bem que existem folhas palpáveis quando se têm sonhos oníricos.
Eu e alguns papéis...que estranhamente voltam do além.
E olham firmes pra mim, mostrando que não se apaga passado nem futuro.
Desenhando em palavras minha própria história.
Saudade entre o hoje e os amanhãs.
Delicadezas diárias que perdemos quando guardamos papéis amarelados,
e esquecemos das gavetas cheias de vida : a nossa...
QUE PASSOU!
FIM.
E é depois do Fim que vem o PONTO FINAL.

Amne

Um comentário:

cervan disse...

bom, muito bom ler tu.