20 de outubro de 2009

Faíscas não resolvem os problemas, ação é o diferencial!


Quem esteve ontem na II Conferência Municipal de Cultura, sabe do que falo:

O eixo V
Cultura para todos
“Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés” disse Joseph Joubert .
Ao que parece, nós brasileiros nascemos todos com asas então...Cabe a sociedade e seus cidadãos, construirem nos seus indivíduos os pés, que sustentarão nossos sonhos. Cabem aos governos, contribuirem na formação de nossa base, para que tenhamos pés e asas concomitantemente, fomentando a integração entre elite e a base da pirâmide, o povo, que através dos séculos é quem constrói a cultura nesta terra.A cultura, sob qualquer forma de arte, liberta e capacita o homem em seu diferencial.O fato de criarmos nos torna especiais, e nos eleva ao melhor de todos os postos: somos aprendizes de nós mesmos.
Nada adianta, os governos disseminarem verbas, se estas não alavancarem os pés de um simples operário pintor ou poeta, ou escultor de músicas.
Precisamos de políticas de integração. Algum sábio já disse que ninguém é feliz sozinho.
A cultura vem da massa, e precisa voltar para ela na mesma proporção, dignificando e fortalecendo sua diversidade.
Agora cito Celso Furtado que disse:

“A política cultural que se limita a facilitar o consumo de bens culturais, tende a ser inibitória de atividades criativas e a impor barreiras à inovação.”


A cultura que sonhamos para nossa gente, é uma cultura possível à todos.Sem barreiras ou imposições sociais.Confúcio já clamava que a cultura está acima da condição social.
Vivemos em um país onde a marca mais expressiva de seu povo, é a diversidade, entre brancos, pretos, pardos, cristãos, protestantes, que escutam maracatu ou moda de viola, temos a nação mais colorida da terra.Capaz de ser feliz, sendo criativos e produtores culturais em meio as dificuldades propostas dia à dia.
Vivemos em uma cidade privilegiada, a qual nos orgulha, ano à ano, com suas conquistas diversas e culturais. Mas é preciso mais, é por isto que hoje dia 19 de outubro de 2009 nos reunimos na tentativa de fazer o melhor por nossa gente, e por nossos sonhos que agora tocam o céu e o chão.

Amne

8 comentários:

Nestor Lampros disse...

Certíssimo, Amne, concordo. É a elite quem manda. Precisava saber o que era de se esperar. A elite política, a elite dos funcionários estatais, que aqui em Atibaia, são como novos coronéis. Infelizmente...

Marta Alvim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ae.g disse...

Nós artistas não podemos ser rebeldes do tipo"Onde há governo sou contra!" Todas as instituições presentes e representadas da Conferência já receberam algum tipo de apoio da prefeitura seja em forme de dinheiro, de beneficio, de apoio, ...Não sou partidária. Não podemos agir pelo lado partidário da coisa. Precisamos procurar equilíbrio entre nossa vontade e o poder vigente. É infantil achar que o mundo é cor de rosa com bolinhas brancas. Meu propósito é representar os artistas, as pessoas da cidade através de suas contribuições.É buscar meios de viabilizar a produção, o reconhecimento,a estruturação.Gerar possibilidades. Será que conseguirei? As vezes acho que eu acredito em um mundo cor de rosa com bolinhas brancas. E as reuniões, não podemos esquecer, são abertas a todos que queiram participar! Beijos culturais. Ana Gouvêa

uma poetinha... disse...

e viva a Democracia. rsrsr
Bom gente, meu texto apenas replete o que senti...acho que faíscas realmente não resolvem os problemas...
Sonhar uma cultura para todos é sonhar, graças a Deus, não paga imposto, nem machuca ninguém!
Não costumo tocar pedras, nem ser apática tb...
extremismos não resolvem nada...
Acho que Atibaia evoluiu demais nos últimos tempos, e pode evoluir muito mais se diminuirem as faíscas que lá vi, promovidas por eguinhos e egões. Não tenho pretensões políticas, sou poeta e sinto apenas, e de maneira alguma escrevi com intenções partidárias.Seguimos todos lutando por cultura e educação que tanto falta no mundo, mesmo no mundo rosa...rsrsrsr
beijokassssssssss para todos!!!
Amne

Durval disse...

Lindo o que você escreveu!
Sem faísca não há fogo!!! E na conferência pegou fogo e tanto!
Acho saudável um fogaréu até certo ponto.
É fato que para os artistas é muito difícil lidar com o "governo", isso não quer dizer que não gostamos deste ou daquele governo, na verdade não os entendemos!
O que os artitas precisam é de um poder público ímpar, que faça seu serviço de gestor para todos!
Bem lembrado que a Prefeitura já ajudou todas as entidades em algum momento, mas isso não é um favor, mas sim UM DEVER.
Ela deve "ajudar" sempre todas as entidades e todos os artistas de sua cidade, para ficar mais claro devemos usar a palavra "GERIR" no lugar de ajudar, porque nós não necessitamos de "esmolas", necessitamos na verdade de RESPEITO por nossas PROFISSÕES.
ISSO MESMO GALERA, NÓS ARTISTAS SOMOS PROFISSIONAIS!!!!!

João disse...

Olha, o que escrevestes é muito otimista e sóbrio, Amne, alguém escreveu: "nós artistas não podemos ser rebeldes", isso é uma barbaridade, um argumento mais elitista que os que a elite produz,imagine o que seria da arte de nossos artistas durante a ditadura militar se não houvesse rebeldia, parabéns,artistas não se curvam a elite econômica por um simples motivo: A elite econômica do Brasil é burra!
Atibaia não foge o exemplo, todos os fins de semana abrimos as portas aos consumistas paulistanos,e agregamos a cultura deles, que é uma cultura globalizada,imperialista, sem valores morais e éticos, apenas com valores de mercado!

A prefeitura desta cidade é uma piada quando se fala em cultura, tenho conhecidos que publicaram mais de uma dezena de livros exclusivamente sobre Atibaia, de história á ficção, e nunca foram estimulados em nada, pelo contrário, recentemente foram impedidos de exibir um curta na câmara por "falta de verba" da cãmara em pagar um funcionário para ficar lá, acredite se puder! Mas nossa cidade tem um povo lindo, jovens poetas e escritores, sentimentalistas e revolucionários,e como diria Belchior o único recado á patota que governou e governa Atibaia é: "Não cante vitória muito cedo não,nem leve flores para cova do inimigo, que as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo, podem fazer renascer um mau antigo."

Artistas são contempladores da estética metafísica ontológica, rebelam-se do próprio corpo, da própria razão, enfim, são "sentidores".
Politicamente são os que propõem o fim das amarras que os fazem ocultos á quem mais precisaria ouvi-los!

Parabéns pelo texto!

"hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás"

Rodrigo Bentancurt disse...

Inspirado nesta polêmico, escrvi um texto que está publicado em meu blog, e, por sugestão da Amne, transcrevo-o aqui.
As palavras estão permeadas de significados construídos sócio-historicamente. Palavras estas que são empregadas em determinados contextos, iluminando-se, assim, algum ou alguns de seus sentidos e apagando-se outros que, contudo, seguem a existir em estado latente. Nessa senda, sempre, fazemos escolhas a partir da gama de signos que temos em nosso eixo paradigmático, para combiná-los no eixo sintagmático. Entretanto, para que servem esses conhecimentos se vemos uma crescente falta de compromisso com a palavra o que acarreta discussões cada vez mais vazias?
A falta de capacidade, por grande parte das pessoas em manter um debate no nível das idéias sem deslocar os argumentos para o lado pessoal, impede que a construção de nosso paradigma cultural ou destrói o que já foi erigido, pois não conseguimos não discutir pessoas. Esse fato leva a discussões que não passam de um amontoado de palavras cuja falta de conhecimento, no dizer, por parte dos "oponentes" transforma-se em simples despejo de palavras. Dizer que vamos a um compromisso e faltarmos, dizer que chegaremos em determinado horário e atrasarmo-nos, afirmar, com veemência, algo que, na verdade, não temos noção do que seja mostra, em uma esfera cotidiana, a falta de responsabilidade com a palavra. Aliando-se esses dois elementos observamos que os ataques pessoais são fruto da ignorância e da falta de ética. Ora, é muita falta de seriedade difamarmos alguém porque não concordamos consigo.
Além disso, as discussões são vazias, pois toda vez que tentamos dar um passo à frente, na melhor das hipóteses, não saímos do lugar. Debatemos entre os nossos pares, não discordamos de pontos divergentes, pois a intransigência é assobrosa. Então, para que lugar queremos avançar? De que nos serve avançar també, se vamos todos parar na mesma cova. E embora, aceitemos as idéias dos outros, nossa intenção, em última instância, é que os demais , conosco, concordem, porque sempre temos a percepção do mundo através de nós e, destarte, o nosso ponto de vista é o melhor, pois é único para cada um.
Portanto, cabe, discutindo simplesmente idéias, aceitarmos a posição do outro sem partirmos para ataques pessoais, embora o conjunto de idéias de um sujeito mostre quem realmente ele é. Mesmo assim, se tivermos responsabilidade no dizer, conseguiremos debater as idéias e, inclusive, fazermos o que é mais difícl, pois o orgulho nos achata: assumirmos que mudamos de opinião devido a capacidade argumentativa do outro. Porque, se atitude e discurso forem coerentes no sujeito, artigo raro esse, seremos, assim, sujeitos mais livres, haja vista que cumprimos um primeiro compromisso, o com nós mesmos.

Thati Dias disse...

Amne, muito bom o seu texto... concordo plenamente. A cultura é uma ferramenta primordial para que as pessoas consigam reviver seu passado e viver seu presente de forma mais intensa, sem esquecer a sua origem, passando tudo isso para as futuras gerações. Difícil ver muitas manifestações morrerem ou se tornarem muito fracas por falta de apoio ou interesse. Um povo precisa entender de ondem vêm suas raízes. Em nosso país, sinto que muitas coisas acabam ficando para trás. Por isso, qualquer atitude governamental que leve a valorização cultural é bem-vinda. Espero que esse tipo de evento ocorra com mais frequencia e que consiga mostrar cada vez mais a diversidade cultural presente em cada cidade e que reflete o país inteiro.