16 de agosto de 2009

Cuide de você


















Gente hoje fiz uma das coisas que mais gosto, fui em uma exposição de arte em São Paulo no Sesc, que foi criada por uma francesa, a artista plástica Sophie Calle.
Ela recebeu por email uma carta do namorado, onde ele terminava com ela e no fim assinava com frio "Cuide de você". Pois essa mulher entregou o texto enviado pelo namorado para outras 107 mulheres do mundo inteiro, famosas e anônimas. Depois, filmou essas mulheres lendo e interpretando a mensagem, cada uma do seu jeito. O material produzido (84 interpretações, em fotos, textos e vídeos) originou a exposição que ficará até o dia 07 de setembro no SESC Pompéia.
Estava com uma amiga, e ficamos bem impressionadas com a ira e a angústia traduzidas por imagens de mulheres do mundo todo, ao ler o que continha no email.
É inacreditável, mas o feitiço virou contra o feiticeiro, porque nunca se deve tratar uma mulher com frieza e desprezo.Mulher se trata com carinho e quem não sabe, acaba sofrendo as consequências.
A exposição "Cuide de Você", fica no Sesc Pompeia de 10 de julho a 7 de setembro. O Sesc Pompeia fica na rua Clélia, 93, aberto de terça a sábado, das 10h às 21h, domingos e feriados, das 10h às 20h.
É isto aí, "cuide de você" é a palavra de ordem!Porque hoje olhando silenciosamente as fotos, observei que brincar com os sentimentos alheios para alguns parece banal, e a exposição mostra não apenas a inconformidade pela falta de caráter, mas pela falta de humanidade.Me mostrou a universalidade da dor de amor à subjetividade da arte.

O motivo da exposição da artista plástica Sophie:


Sophie
Há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seu último e-mail. Ao mesmo tempo, me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.
Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as “outras”, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas.
Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, de ser simplesmente feliz e “generoso”, se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso. Achei que a escrita seria um remédio, que meu “desassossego” se dissolveria nela para encontrar você.
Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar.
Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo.
Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.
Mas hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.
Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.
Cuide de você.
G

2 comentários:

Alana disse...

Quengo.

Talitinha disse...

putz... o mundo está povoado de "Gs"...