30 de setembro de 2009

Só coisas


Só coisas
Queria uma tarde livre, com um livro legal.
Ando tão cansada de ser tudo e nada.E tudo junto, porque parece as vezes tem um buraco em mim.
Minha cabeça dói. E muito...
Não queria mais ter que lembrar das contas pra pagar.
Na verdade eu queria comprar uma cachoeira.Já que hoje por tudo se paga.Lá vou eu me endividar...
Queria mesmo era mais tardes de domingo lagarteando no sol, comendo uma rodela de abacaxi qualquer.
Mas se o céu ficasse meio cinzinha, podia ser pudim de pão com goiabada, que também é bem gostoso.
Não queria mais pensar em amores impossíveis, viver já bastaria.
Queria poder ser mais frágil as vezes, queria ser menor que este tamanho todo; preocupações me desfazem nos papéis.Queria poder ser muito frágil, sendo sempre muito forte.
Anda faltando bexiga amarela em minha vida. Nunca vou esquecer.
Queria vestir todas as minhas caras, mas que cada uma delas conseguisse mostrar quem eu sou.
E que me amassem por isso, acreditando na minha essência e pronto. Simples assim...
Queria parar pra dormir as três e meia da tarde, e as cinco sair no portão pra sentir a brisa.
Sinto falta das velhas nas calçadas, conversando...
Hoje o sol se pôs as 18:18hrs mas eu não estava lá pra ver. As vezes, isto me frustra.
Queria coisas mais amenas, menos imposição.
Amo conviver com estas pessoas do meu dia à dia. Sabe,conheço muitas crianças que sentem.
Odeio gente chata, que não fala coisa boa nunca. E o pior, ainda acham normal ser assim.
As vezes eu queria viver de cantar, outras de poesia; outras de manhãs fresquinhas com suco de fruta do pé,e sem açúcar, porque muda o gosto da coisa toda.
Na maioria das vezes eu só queria paz...A minha!
Um guarda-sol as oito e trinca e cinco na praia vazia, meu pé melecado da meleca que a água faz misturando-se na areia ainda fria...
Sinto falta daquela praia em especial.
Também podia ser uma colherada do doce, aquele que a vovó faz num tacho lá em Goiás.Faz tempo que não vejo a vovó...
Queria aprender a tocar violino, um dia ou amanhã, também valeria.
Queria um abraço bem demorado, pra eu soltar o peso e as dores.
Queria esvaziar minha cabeça de tudo, absolutamente tudo.Queria encher a cabeça de lembrança fabricada no último minuto.
Queria não precisar sentir pena, de ninguém.De nenhuma atitude, minha e a alheia.
Queria amar mais o silêncio. O silêncio faz bem.
Queria que o tempo tivesse um outro nome qualquer, não tempo. Porque afinal ele não cura nada, a gente arruma sempre um jeitinho de guardar tudo, aí anda por aí carregando peso, no meio de toda a bagunça.
Queria saber do que sou feita, e de onde vim. Isto sim, é importante pra mim.
Não queria precisar correr riscos, nem ser tão tão distante.
Queria vender loucuras a vinténs bem baratos. E cada um que comprasse, ganharia um catavento feito de papel de seda, ou quem preferisse poderia angariar um kit bolhas de sabão.
Queria nunca envelhecer, para manter uma certa pureza e graça infantil.
Queria muito envelhecer para ser sábia , e sofrer um pouquinho menos.
Mas talvez aí a coisa não tivesse graça, não é?
Não queria mais ter medo do escuro, nem de trovão.Queria dormir em paz.
Queria dar movimento aos desenhos do meu filho.
Queria ter mais tempo para lhe contar mais histórias.
Andando de meia pela casa, com pijama velho...
Acho que tudo isto se resume num picolé de limão na praça, num domingo pela manhã...com cheiro de pipoca doce do tio.
Hoje apenas queria as coisas que sempre quis, mas andei esquecendo.
Tá quase na hora de acordar, e ainda não dormi!
Bom dia...
Amne

3 comentários:

rita de cássia disse...

Lindo poema flor...sentimentos mais que verdadeiros...bjinsss

José Antonio Martino disse...

Oi, Amne, beleza? O seu blog está muito bonito e agradável. Gostei. Fiz um link para o meu. Beijaummmm

Uma menina... disse...

A tão sonhada felicidade... bora mudar o mundo e desenhar sorrisos nas pessoas que essa vida precisa.